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1º Transcaldeirão (06/06/04)

Decorreu no 29 e 30 de maio o primeiro Transcaldeirão. Ficará na historia como sendo mais uma iniciativa inovadora de conceito de prova, uma daquelas que ficam um pouco despercebidas das audiências na primeira edição mas que tornam-se depois clássicos. A ideia é boa, a organização também portanto tudo leva a crer que este evento irá em frente com todo o seu potencial.

Um percurso, dois dias, dois sentidos, uma classificação. A ideia é esta.
Saímos no sábado à tarde, pelas 14h nas ruas de São Brás, um pelotão de cerca de 60 concorrentes, todos atrás da carrinha da Associação de Ciclismo do Algarve. A partida foi dada ao entrar num caminho de terra depois das últimas indicações do Pedro Santos, muito inspirado pela voz de fundo do comissário da ACA, sobre a segurança, o código da estrada, etc...

Do terreno não havia de esperar surpresas, quem já fez a maratona Extreme de São Brás sabe que não se descanse na Serra do Caldeirão. A regra é quase sempre : subir paredes ou descer paredes. Desta vez, saí bem na frente. Mas não foi por muito tempo, pois juntamente com um outro colega enganamos e perdemos cerca de 10mn. A seguir, já no percurso outra vez, não consegui acompanhar o andamento do holandês companheiro de engano e senti que não estava muito bem. Senti o calor a apertar e comecei a sofrer. A mistura de calor e do cansaço da viagem feita no próprio dia fez os seus estragos. Decidi então gerir o melhor possível sempre a pensar no dia seguinte. Cheguei em 12º lugar a cerca de 37 mn do primeiro.

Em Cachopo, a vontade de descansar era grande portanto depois das conversas com colegas sobre o empeno passado e outros, depois do duche, do divertimento de ver como o Pedro Santos aprende ao seus cadetes como é que se monta a tenda da organização, depois de montar a minha tenda (enfim, a tenda do Gilberto Sempreagil), depois do jantar à bolonhesa, fui me deitar e tentei dormir, embora os jogadores de petanque cujo terreno estávamos a ocupar ainda estavam a jogar. Aquilo não foi uma noite em branco mas quase.

Acordar, pequeno almoço, segunda partida com as verdadeiras últimas indicações do Pedro Santos (sempre com a voz e fundo do comissário) mas sem sol. Partimos para os 50 km que tínhamos feito no dia anterior mas em sentido contrário. Senti-me melhor, não consegui acompanhar logo o andamento dos primeiros mas sentia que era só uma questão de quartos de hora antes da máquina arrancar. Esta etapa foi mais rápida para toda a gente. Acabei em 7º mas como em Portalegre tive que desistir de alguns lugares por causa de caibras que se tinham feito sentir. Desta vez o desapontamento foi mais amargo pois ocorreu a menos 5 km da meta numa única subida onde tive que pôr o pé no chão e descolar de um grupo de 5  participantes.

O resultado global do fim de semana foi positivo pois acabei melhor do que comecei num honesto 10º lugar. Ainda fiquei algum tempo no almoço convívio para comer uma sopa, receber o prémio de concorrente de mais longe e felicitar o Pedro Santos pelo seu trabalho na Associação Jovem de São Brás antes de me meter pela estrada outra vez.