Estava eu a pensar com os meus botões quando me lembrei que seria engraçado, em vésperas do PTG 2003, entrevistar o vencedor do PTG 2002. E assim nasceu a entrevista (mais ou menos surreal) ao Guillaume Kuchel.
Redigi uma série de perguntas banais e fiquei à espera do resultado.
Será que ele iria entender o espírito da coisa? Será que ia levar a coisa para a tanga ou responder mais a sério?
Aqui está o resultado:
Velocipedi@: Guillaume! Por favor, umas palavrinhas para o Jornal de Desporto da V@! O ano passado foi com muito mérito e alguma sorte à mistura o vencedor do PTG 100. Quais as suas expectativas para a edição deste ano?
Guillaume: Eu tive recentemente um problema no joelho direito por isso o meu primeiro objectivo será acabar a prova. Caso me senta bem em relação a esta "avaria", e com mais de 500 participantes, gostava de figurar nos 20 primeiros com um tempo não muito superior às 5h. Mas acho que o circuito mudou um pouco portanto é difícil fazer previsões agora.
V@: Quem são, na sua opinião, os principais candidatos à vitória este ano?
G: Não sei! Acho que o João está numa forma escandalosa este ano e tem todas as hipóteses de rebentar aquilo tudo. Se não for ele então apostaria no Zé que fez um início de época um pouco fraco mas está a recuperar. Temos também que contar com os outsiders, Paulo, Pedro, Carlos e sobretudo Jorge que já vi treinar, até parece um foguete. Enfim, o que posso dizer é que um deles irá ganhar...
V@: Este ano representará a PatusBravus.com. Esta equipa dá-lhe melhores condições?
G: Não mas o mais importante é já termos um grupo que se interessa por este tipo de evento. Torna tudo mais fácil: logística, preparação e convívio.
V@: O que mudou para este ano na sua preparação e na preparação da máquina?
G: Deixei de treinar para as tretas da federação. Assim consegui fazer mais quilómetros e, sobretudo, gozar mais. Quanto à máquina, nada de especial, está sempre pronta.
V@: Qual a sua opinião sobre o aumento do número de inscritos este ano?
G: A minha opinião é que está mais que provado que a salvação do BTT tem que passar pelas provas populares. É difícil de entender porque é que só agora é que se começa a pensar assim mas o facto é que fui um dos primeiros a afirmar que Portalegre iria ser um sucesso, simplesmente porque assisti ao mesmo fenómeno em França há mais de dez anos. Lembro-me ainda que quando foi anunciada a primeira Maratona de PTG não houve só optimismo, e pessoas que agora parecem apoiar este tipo de evento pensavam que não tinha futuro porque não proporcionava espectáculo.
Eu acho, sinceramente, que se os Ases tiverem a vontade e a ambição de criar um espírito ciclodesportista em torno da prova, contrariamente à filosofia cicloturista implementada agora, a edição 2004 poderia alcançar um número de participantes muito perto dos 1000.
V@: Acha que o "Patu" conseguirá terminar a prova? Haverá muitos colisteiros a parar com "problemas técnicos" nas biclas?
G: O "Patu" mostrou em Grândola que consegue terminar e bem uma prova longa portanto não me preocupo com ele. Os problemas técnicos acontecem sempre, às vezes é só uma questão de azar, outras não, mas o principal é estar prevenido contra as avarias básicas.
V@: Qual o segredo da sua energia? Qual a marca de pizza que vai ingerir nos dias anteriores à prova?
G: Não tenho segredo, como e bebo normalmente e o meu corpo trata do transformar isto em energia. De um modo geral, prefiro massa às pizzas, é mais rápido e fácil de fazer...
V@: Em caso de vitória, a quem a dedicará quando se encontrar no pódio?
G: Aí está uma pergunta mesmo surrealista, tenho a certeza que, com mais de 500 participantes, os Ases tomaram as precauções necessárias para que os erros do ano passado não voltem a acontecer... Mesmo assim, caso vença, ficaria com a vitória só para mim porque bem o merecia.
V@: Este evento será uma promoção para o seu "site" Toxiclodependente?
G: Não porque o Toxiclodependente não está feito para ser divulgado. Penso que quem tiver interesse neste tipo de site acaba mais tarde ou mais cedo por conhecê-lo e apreciá-lo pelo seu justo valor. E sinceramente já gasto tempo mais que suficientemente naquela cena. Em Portalegre só quero curtir a prova.
V@: Para quando um novo álbum de originais... ooooopppsss! Esqueça, esta pergunta é para entrevistas a cantores Pop :-) Mas, a propósito, quando se retirar do ciclismo conta abraçar uma carreira artística?
G: Ainda não tinha pensado nisso mas a ideia é boa. Tenho muito jeito com o triângulo e até podia criar uma banda de percussões. É com certeza uma melhor ideia do que entrar na política. Estava com ideia de me candidatar à Presidência da República mas não posso por causa da nacionalidade, ou então à presidência do FCP, para acabar com o futebol, mas também acho difícil... É isso mesmo, vou já ver se encontro um triângulo em titânio lá na zona do Entroncamento! Deve ter um som porreiro!
V@: Muito obrigado e boa sorte
G: Obrigado eu e boa sorte também.
FIM